«Não sou poeta, tenho de o reconhecer apesar de ser capaz de exprimir “o que sofro” — em boa verdade, apenas em monólogo. Seja o que for “exprimir” é a palavra adequada que resulta sempre. Funciona pois, como uma libertação, uma espécie de confissão na esperança de me absolver a mim próprio. Acima de mim não existe outro juiz ou padre.»

“O Problema de Aladino” de Ernst Jünger

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«Uns de nós estagnaram na conquista alvar do quotidiano, reles e baixos buscando o pão de cada dia, e querendo obtê-lo sem o trabalho sentido, sem a consciência do esforço, sem a nobreza do conseguimento.
Outros, de melhor estirpe, abstivemo-nos da coisa pública, nada querendo e nada desejando, e tentando levar até ao calvário do esquecimento a cruz de simplesmente existirmos. Impossível esforço, em que[m] não tem, como o portador da Cruz, uma origem divina na consciência.
Outros entregaram-se, atarefados por fora da alma, ao culto da confusão e do ruído, julgando viver quando se ouviam, crendo amar quando chocavam contra as exterioridades do amor. Viver doía-nos, porque sabíamos que estávamos vivos; morrer não nos aterrava porque tínhamos perdido a noção normal da morte.»

“Livro do Desassossego” por Bernardo Soares