Silentium

Chove, não se ouve nada, as janelas são novas, com vidro duplo. Os gatos tocam-no e seguem a água. Os choupos, na varanda, perdem as últimas folhas. A ponte, ao longe, está firme e o nevoeiro não deixa ver o rio. O silêncio é maior e opaco. Leio alto para recordar a voz.
As gaivotas guincham, abrem a boca, interrompem a quietude. Esticam as asas, são repentinas, lembram bandeiras adormecidas a esvoaçar.

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judithslayingholofernes

e·go·ís·mo
substantivo masculino

Amor exclusivo à pessoa e aos interesses próprios.

 

 

annaostoya

ar·ro·gân·ci·a
substantivo feminino

1. Sobranceria menosprezadora.
2. Altivez que deixa ver o pouco caso que se faz do adversário.
3. Insolência.

 

 

annaostoya
ma·ni·pu·la·ção
substantivo feminino

Acto ou efeito de manipular.

 

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

daliahlammar

 

Leonard Cohen

Abandonou a música e entrou na décima arte chamada tristeza. Mas fazia mal à tristeza.
Quis aprender línguas e outras tarefas. Tornou-se o carpinteiro que fazia discursos demorados. Depois pegou numa cadeira, sentou-se, e repetiu alto: é um exercício sobre o movimento dos outros. Quando se confessava dava ordens ao confidente.
Só perdes a capacidade de ameaçar quando te apaixonas. O teu amado não tem medo de ti.

“Biblioteca” de Gonçalo M. Tavares

bencehajdu

 

«E o mundo não tem metade
porque nunca está inteiro: as gerações de animais,
homens, plantas e outras matérias organizadas
sucedem-se: mortos uns, nascem outros:
nunca todos juntos permanecem em redor
de um banquete. O mundo nunca está completo:
faltam pessoas que nos morreram.»

“Uma Viagem à Índia” de Gonçalo M. Tavares