É o fim do ano. As nuvens cobrem a cidade.
Trazes-me Ariel e observas a farinha no balcão.
Estou na cozinha e o Tejo enche-me
de sonhos. O bolo está quase pronto,
o aroma percorre a nossa morada. Toco a mancha no avental,
espalho-a bem, provo o bolo que ainda fumega.
A folha riscada onde escrevo tem algum mel, treme um pouco
quando irrompes pela porta.

antoinegeiger

 

«Tanto a religião como o ocultismo retiram muito do seu poder da estimulação e manipulação simultânea do medo: ansiedade que atormenta os limites constantemente em mudança da personalidade e, em especial, os confins da morte. Quando as novas tecnologias reconfiguraram essas mesmas fronteiras, as sombras e as trevas que assombram a identidade humana começaram a verter do eu e muitas foram alojar-se nos espaços virtuais abertos pelas novas tecnologias.»

“Tecnognose” de Erik Davis