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«Que triste ilusão, pensou Drogo, se calhar é tudo assim, julgamos que à nossa volta existem criaturas semelhantes a nós e afinal não há mais do que gelo, pedras que falam uma língua estranha; preparamo-nos para saudar o amigo mas o braço cai inerte e o sorriso apaga-se, porque nos damos conta de estar completamente sós.»

“O Deserto dos Tártaros” de Dino Buzzati

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«Era uma vez um menino que gostava de atirar pedras à lua.
Quando chegava a noite, refugiava-se nas traseiras do quintal, acariciava as pedras que recolhera durante o dia (para dar sorte) e atirava-as, uma a uma, olhos fixos na lua. Quando sentia o braço cansado, ia para a cama e, exausto, adormecia de imediato.
Mas, um dia, o menino foi viver para a cidade, onde já não podia atirar pedras, pois feriria pessoas, partiria vidros, provocaria estragos (disse a mãe). A partir desse dia, nunca mais o menino conseguiu adormecer com facilidade, como antes. E nunca ninguém descobriu porquê.»

“Miniaturas” de Paulo Kellerman

Geoffrey Laurence

 

«LUCIUS – (Para o filho) Meu rapaz, vem aprender com o teu pai como se chora
Grande era o amor que tinha por ti.
Quantas vezes cavalgaste em seus joelhos,
quantas vezes em seu peito adormeceste?
Nunca esqueças as histórias que meu pai te contou,
desejando que as guardasses na memória
para assim o recordasses quando morresse.»

“Titus Andronicus” de William Shakespeare

romainlaurent

 

«Sofremos com nojo a pertença em nós
inculcada de uma geração, as suas taras
vindas de longe, modos diferentes
de se ser igual. Com uma raiva triste,
vemo-los foder, procriar, indo aos poucos
definhando, esperados que são
por pós-modernos jazigos.

Não há nada a fazer,
nenhuma palavra nos salva.
Somos sempre contemporâneos da merda.»

“A última Porta (Antologia)” de Manuel de Freitas