Golucho - Retratos de insomnio

 

«A beleza nunca é clara
no modo em que se aproxima
Somos com certas coisas
um mundo ainda terrível
incapaz de explicações

sem nenhuma das certezas
mesmo aquelas, ínfimas, que sustentam
uma palavra, um olhar ou um grito.»

 

“De Igual para Igual” de José Tolentino Mendonça

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Andrew Waits

 

«A arte de perder não é difícil de se dominar;
tantas coisas parecem cheias da intenção
de se perderem que a sua perda não é uma calamidade.
Perder qualquer coisa todos os dias. Aceitar a agitação
de chaves perdidas, a hora mal passada.
A arte de perder não é difícil de se dominar.
Então procura perder mais, perder mais depressa:
lugares e nomes e para onde se tencionava
viajar. Nenhuma destas coisas trará uma calamidade.»

Elizabeth Bishop

 

«Não se pode gostar de toda a gente
– escreveu-o Robert Lowell -,
o coração não chega para tanto.

E falar de ti,
no fundo,
é também uma forma de egoísmo.

Pintar a escuridão
a partir da escuridão que nos enlaça
como o princípio e o final de um círculo.

Não o quebres e volta para junto de mim,
devagar,
mais devagar,

até saber como termina tudo.»

 

“A Caixa Negra” de Josep M. Rodríguez

ChoiXooAng

 

«Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.»

“Poesia vol. I e II” de Jorge Sena