Vejo homens e mulheres por todo o lado,
Vejo a serena irmandade dos filósofos,
Vejo o poder de construção da minha raça,
Vejo os resultados da perseverança e do trabalho da minha raça,
Vejo hierarquias, cores, barbáries, civilizações, ando no meio delas, misturo-me indiscriminadamente,
E saúdo todos os habitantes da terra.

“Folhas de Erva” de Walt Whitman

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«Um homem deitou-se crente e a acordou descrente.
Felizmente, havia no quarto deste homem uma balança decimal médica, e ele tinha o hábito de se pesar todos os dias, de manhã e à noite. Assim, pesara-se na véspera, ao deitar, e a balança marcava 4 puds e 21 libras. Na manhã seguinte, ao acordar descrente, o homem voltou a pesar-se e a balança marcava 4 puds e 13 libras. “Daqui a conclusão: a minha fé pesava aproximadamente 8 libras”, disse o homem.»

“A velha e outras histórias” de Danill Harms

 

«Ele diz que tudo isso se complicou muito desde então. Diz que nós flutuamos na água, mas também num mar de fogo, numa tempestade de electricidade, num céu de magnetismo, num pântano de calor, e por aí fora. Mas tudo sem o sentirmos. Por fim, o que resta são apenas fórmulas cujo significado humano nós não conseguimos exprimir muito bem: é isso o todo.»

“O homem sem qualidades” de Robert Musil

 

«Porque as melhores pessoas são tristes. A minha mãe é pálida, muito pálida, e mesmo quando se ri treme-lhe uma tristeza no riso como gotas de água num ramo ao sol. Nunca vemos Jesus dar cotoveladas aos seus discípulos e torcerem-se a rir. Judas, esse, queria armar-se em esperto e afastava-se deles para se rir sozinho. Nunca se viu ninguém pensar numa coisa difícil, nos rebentos de uma árvore, no sol, como é que ele sobe e desce na água do céu, e desatar a rir-se. Aliás, só há felicidade nos tristes.»

“A Felicidade dos Tristes” de Luc Dietrich

 

«Não sou poeta, tenho de o reconhecer apesar de ser capaz de exprimir “o que sofro” — em boa verdade, apenas em monólogo. Seja o que for “exprimir” é a palavra adequada que resulta sempre. Funciona pois, como uma libertação, uma espécie de confissão na esperança de me absolver a mim próprio. Acima de mim não existe outro juiz ou padre.»

“O Problema de Aladino” de Ernst Jünger